XXVIII COLÓQUIO WINNICOTT INTERNACIONAL | IDENTIDADES
Apresentação O conceito de identidade é um componente central da teoria winnicottiana da realização do potencial da natureza humana no processo de amadurecimento por crescente integração. Este processo inicia-se pelo estabelecimento de um si-mesmo unitário espontâneo e, no decorrer do tempo, alcança outras formas de identidade – a do EU SOU, a familiar, sexual, de gênero, racial, social, cultural etc. Base para a compreensão do que está em jogo nas distorções desintegrativas winnicottianas e nos bloqueios desse processo, esse conceito é ainda a chave para a formulação de procedimentos que levem à obtenção de objetivos básicos do tratamento, em particular, à recuperação da espontaneidade e ao fortalecimento e restabelecimento da identidade pessoal ameaçada ou mesmo perdida. Por tudo isso, aqui estamos diante de um marco da quebra do paradigma da psicanálise tradicional operada por Winnicott. Não surpreende que este conceito está ausente em Freud e que não o encontramos dicionarizado em nenhum dos mais importantes dicionários dessa disciplina, como o de Laplanche-Pontalis e o de Roudinesco-Plon. Consta no de Charles Rycroft, só que emprestado de Erik Erikson. O presente colóquio propõe-se a: 1) reconstruir o papel do conceito de identidade no paradigma winnicottiano tomado no sentido estrito, a saber, como quadro para a resolução de problemas de saúde entendidos como problemas de amadurecimento integrativo, e 2) aplicar esse conjunto de ideias à discussão de problemas de estabelecimento e de distúrbios de identidade que se revelam urgentes nos dias de hoje. Z. Loparic